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Aljezur na História

Vila de Aljezur

Vestígios do passado pré-histórico atestam a importância deste concelho para povos como os mirenses (7000 anos a.C. – final da Idade Glaciária). Sendo povos nómadas, caçadores/recolectores, caçavam e apanhavam mariscos do mar com os seus machados rudimentares, assim como escavavam a terra à procura de tubérculos ou raízes, constituindo esta a base da sua alimentação.

Também da pré-história surgem vestígios atribuídos ao período Neolítico Final/Calcolítico (3000-2500 anos a.C.) e à Idade do Bronze (1200-900/800 anos a.C.). No entanto, é do período islâmico (séculos X-XIII) que se reserva o maior esplendor arqueológico do concelho de Aljezur, comprovado por escavações arqueológicas levadas a efeito quer no Castelo de Aljezur, na Ponta da Atalaia (Ribat da Arrifana), na Ponta do Castelo - Carrapateira, na Igreja Nova – Aljezur ou em Alcaria.

Aljezur foi fundada no séc. X pelos Árabes, que permaneceram longo tempo na região, deixando costumes e tradições que se mantiveram após a Reconquista Cristã e chegaram aos nossos dias. 

A vila de Aljezur foi tomada aos mouros em 1249, reinado de D. Afonso III, sendo o herói deste feito o Mestre da Ordem de Santiago - D. Paio Peres Correia. Esta conquista deu-se ao romper da alva, com a ocupação do castelo que se encontrava sob domínio dos mouros. Os cristãos agradeceram à Virgem Maria o sucesso da conquista e, numa expansão da fé, Nossa Senhora da Alva tornou-se a Padroeira de Aljezur, facto que ainda hoje é transmitido via oral, através da lenda da Conquista do Castelo.

A 12 de Novembro de 1280, D. Dinis concedeu foral a Aljezur. Foi lavrado em Estremoz e foi a primeira Carta de Foral concedida por D. Dinis a uma terra algarvia.  A 01 de Junho de 1504, D. Manuel reformou a Carta Diplomática de D. Dinis e concedeu novo Foral a Aljezur.

Após a Restauração da Independência, reinados de D. Afonso VI e seu irmão, Regente e depois Rei de Portugal - D. Pedro II, infestavam os mares portugueses corsários marroquinos que desembarcavam nos ancoradouros marítimos mais favoráveis e desprovidos de defesa militarem. Iniciavam então o assalto às povoações mais próximas.

Carrapateira ergue-se entre duas praias de fácil desembarque: a Praia da Bordeira, a norte e a Praia do Amado, a sul. Dessas praias dirigiam-se ao casario e praticavam com violência o roubo e a destruição. Levavam ainda consigo jovens de ambos os sexos que eram vendidos como escravos nos mercados de Argel. De igual modo, a Arrifana, formando uma pequena enseada, encontrava-se protegida da forte rebentação das ondas e logo também permitia um acesso fácil por mar.

Foi assim, no séc. XVII, mandado construir o Forte da Arrifana, edificado em 1635 e reedificado em 1670, que tinha como principal função a defesa de uma armação de pesca que, já em 1516, existia neste local.

A Igreja da Carrapateira, dedicada a Nossa Senhora da Conceição, foi construída no reinado de D. João IV, sendo anterior a 1673. O local onde esta igreja foi erigida (era a zona mais alta, tendo a poente uma zona plana de onde se avistava o mar e a povoação) foi o que melhor serviu, em 1673, para a construção do Forte da Carrapateira por D. Nuno da Cunha de Ataíde, Conde de Pontevel e Governador do Reino. Envolveu assim o templo já existente.

Todo o concelho sofreu uma enorme destruição com o terramoto de 1755. Afastando-se dos escombros da vila de Aljezur, o Bispo D. Francisco Gomes de Avelar projectou e fez construir o templo da Igreja Nova ou de Nossa Senhora da Alva. O seu objectivo era encontrar um local plano e arejado, que pudesse servir não só para a nova igreja, mas também para um novo aglomerado urbano, que posteriormente se passou a chamar de Igreja Nova. Todavia, só nos finais do século XIX é que o projecto se concretizou, pois foi forte a resistência da população a esta mudança.


“A BATALHA DE ALJEZUR”

Um facto importante e algo curioso na história deste concelho, porém mais recente, foi um combate aéreo entre os alemães nazis e as forças aliadas. 

No princípio do Verão de 1943 toda a Europa estava em guerra. Decorria a 2ª Guerra Mundial. No dia 9 de Julho, Portugal, um país em sossego, foi subitamente perturbado. Em plena Costa Vicentina, os céus de Aljezur serviram durante 50 minutos de palco a um combate aéreo, do qual resultaram sete mortos da Força Aérea do III Reich. 

As forças aliadas, durante esta guerra, vinham conseguindo sucessivas vitórias e com o objectivo de controlar o Mediterrânico concentraram as suas tropas (americanas e inglesas) na Sicília. A fim de reforçar o contingente aliado nesta ilha dirigiram-se para lá diversos comboios de navios, ao que prevendo este desembarque as forças alemãs trataram de controlar o Cabo de S. Vicente, subornando o faroleiro para que este lhes fizesse chegar a informação da aproximação dos navios, pois este cabo era local de passagem obrigatória na rota para o Mediterrânico. Assim, num espaço de uma hora surgiram quatro aviões de combate do III Reich prontos para abater os navios inimigos quando estes passavam entre a Carrapateira e Sagres. No entanto, os aliados enganaram-nos trazendo caças, ao que se travou uma batalha aérea em frente à Atalaia (perto da Arrifana) junto à costa.  A dada altura os aviões alemães iniciaram a fuga para Norte, largando algumas bombas e, na Atalaia, ficou para trás um caça alemão que foi atingido, incendiando-se de seguida.

Ao todo morreram sete tripulantes alemães tendo os aljezurenses transportado os seus corpos para a Igreja Matriz de Aljezur. Mais tarde apareceu o adjunto do adido aeronáutico da embaixada alemã em Lisboa, o Major Karl Spiess, para velar os corpos junto com membros da Legião Portuguesa e dos próprios aljezurenses, que não estavam ali por simpatia política nutrida pela Alemanha nazi, mas sim numa acção de solidariedade.

No dia do funeral, Aljezur em peso acorreu ao cemitério para prestar a sua última homenagem, junto com numerosas individualidades portuguesas e alemãs. 

Durante anos vinha dinheiro da Alemanha para que cuidassem das campas dos seus soldados e, dizem, eram realmente as que se apresentavam melhor tratadas. O estado alemão reconheceu a bondade dos aljezurenses e os serviços prestados pelos mesmos no auxílio às vítimas, condecorando alguns cidadãos de Aljezur que se tinham destacado na organização do funeral.

De notar que a imprensa portuguesa sempre foi muito sucinta e omissiva em relação a este acontecimento em território português, tendo sido desdramatizado ao máximo pelo governo de Salazar.

Hoje, ainda se deslocam ao cemitério, especialmente em dia de finados ou no aniversário do acidente, alguns alemães residentes nas redondezas, apesar do complexo militar se encontrar já desactivado.

 


LENDA DA TOMADA DO CASTELO DE ALJEZUR AOS MOUROS

A tradição situa a conquista do castelo de Aljezur pelos cavaleiros cristãos da Ordem de Santiago, na manhã de 24 de Junho de 1249, durante o reinado de D. Afonso III. Nesta manhã, os cavaleiros de D. Paio Peres Correia, Mestre da Ordem de Santiago, ocupam o castelo de Aljezur, que se encontrava na posse dos mouros.

No decurso de um acampamento nas várzeas da vila em época anterior, um dos cavaleiros cristãos apaixonara-se por uma moura de nome Mareares; contara esta que os árabes não faltavam ao Banho Sagrado na manhã de 24 de Junho na Praia da Amoreira.

Esse seria o dia indicado para a ocupação do castelo. Prudentes os cavaleiros prenderam ramos de árvores aos seus fatos e aproximaram-se das muralhas.

Uma velha cega, sogra do alcaide, ficara na fortificação e de manhã cedo catava a sua neta. Esta, apercebendo-se de que as árvores e as moitas verdes se deslocavam em direcção ao castelo, pergunta à avó se as moitas se movem. Esta acalma a visão infantil, falando-lhe do balouçar das plantas com o vento.

Os cavaleiros cercam o castelo e ocupam-no ao romper da alva, agradecendo a Deus e à Nossa Senhora a posse de Aljezur.

Quando os mouros regressam após o cumprimento sagrado de um ritual místico, são decapitados na zona sul do castelo - “Degoladouro” e as suas cabeças arremessadas para o cerro a norte, denominado posteriormente de “Cabeças”.



LENDA DAS SANTAS CABEÇAS DE ALJEZUR

Consta que no tempo do Rei D. Manuel I e do Bispo do Algarve D. Fernando Coutinho existiam na zona de Aljezur dois lavradores, pai e filho - João e Pedro Galego, respectivamente. Homens dedicados ao trabalho, justos e virtuosos, foram aqui famosos, pois que de tão abalizados em virtude, com o seu “bafo” ou hálito curavam ou conferiam saúde a infinitos enfermos. Depois de mortos, as suas caveiras continuaram a realizar milagres. Colocadas numa caixa na igreja matriz da vila, Igreja de Nossa Senhora da Alva (ainda hoje lá estão depositadas), a elas concorriam todo o ano infinitas romagens de pessoas, mordidas por cães e outros animais, com males do coração, dores de cabeça e dores de dentes.

Estas ficaram assim conhecidas pelas Santas Cabeças de Aljezur.

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