No seu discurso de boas vindas, José Amarelinho, Presidente da Câmara Municipal de Aljezur começou por agradecer a presença daquele membro do Governo em Aljezur, na recém inaugurada sede da Associação de Produtores de batata-doce de Aljezur, para assinatura de contratos de financiamento para projectos aprovados no âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural que se traduz num pacote de investimentos da maior importância e que representa mais de 3, milhões de euros de investimento directo, com cerca de 1, 7 milhões de comparticipação que assegurarão a diversificação da economia, criação de emprego e melhoria da qualidade de vida.
“Em tempos complexos e difíceis como são os que atravessamos, aí está uma resposta necessária e indispensável, hoje proporcionada por Sua Excelência, o Sr. Ministro António Serrano”, referiu José Amarelinho.
“Uma palavra sincera de incentivo e o meu aplauso a todos os empreendedores/promotores que hoje vêem reconhecido o seu esforço, trabalho e persistência e que numa atitude pró-activa e optimista serão capazes de gerar e potenciar novas oportunidades de emprego, desenvolvimento local e regional.
É disto que a região e o país precisam! Oportunidades, confiança, optimismo e empreendedorismo!
Muitos parabéns a todos e votos dos maiores sucessos!”, declarou o presidente da Câmara de Aljezur, dirigindo-se aos promotores presentes.
Na ocasião, e aproveitando a presença de um membro do Governo no Município, Amarelinho considerou incontornável uma alusão clara e objectiva em relação ao Plano de Ordenamento do PNSACV, referindo:
“Porque estamos em pleno coração da Costa Vicentina, e porque atravessamos o período de Pós Discussão Pública do Plano de Ordenamento do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, permita-me Vª Exª que lhe transmita com pequenos exemplos, sérias preocupações acerca da forma como este Plano, desenvolvido pelo ICNB e que terá que ser aprovado superiormente em Conselho de Ministros, trata a agricultura, a pecuária, as pescas e a actividade florestal.
Aljezur, como todos sabem, é sede da Associação de Produtores de Batata-doce, ÚNICA ENTIDADE com um produto hortícola certificado pela União Europeia com Indicação Geográfica Protegida.
Trata-se de uma certificação atribuída a um produto autóctone deste Parque Natural – Batata-doce, variedade Lira, cultivada de acordo com as normas tradicionais.
É estranhíssimo que a proposta de plano não faça uma única alusão ou qualquer discriminação positiva em relação a esta produção, deixando de fora um modo de produção integrado com IGP, em prol de uma perfeita cobertura no perímetro de Rega do Mira, de estufas e Túneis, que no limite, ao que se prevê possam ocupar contínuos de 15 hectares e que corresponde a mais de 20% da área do Parque.
Nada temos contra uma prática intensiva devidamente regrada, não podemos é, obviamente ver maltratado e esquecido, um modo de produção sustentável que contribui para o incremento da economia local e que é factor de diferenciação.
No que à pesca comercial diz respeito, não aceitaremos a zona classificada como Protecção Parcial Tipo I (entre a Arrifana e a Atalaia) que constitui a única zona de fundo rochoso que possibilita o exercício da pesca local/profissional com viabilidade e sustentabilidade económica às embarcações licenciadas que fainam nesta área.
Tal facto, a manter-se, é condenar a comunidade piscatória do Portinho da Arrifana à sua extinção. Portinho de pesca onde recentemente foram investidos cerca de 1 milhão de euros entre fundos comunitários, do município e do próprio ICNB! Seria no mínimo caricato.
Quanto à actividade florestal não entendemos, porque não faz sentido, que se interdite a instalação de novas arborizações nas áreas de protecção parcial tipo I e II, uma vez que nestas áreas existem espaços cujo estado de degradação da vegetação e dos solos é muito considerável. E por isso memo propusemos que para áreas como estas sejam permitidas novas arborizações com folhosas autóctones, o sobreiro e o medronheiro, medida esta que permitiria sim, que estes terrenos pudessem ser valorizados do ponto de vista económico, conseguindo-se assim uma verdadeira e desejável sustentabilidade do território.
No que à pecuária diz respeito, os concelhos de Aljezur, Odemira e Vila do Bispo, são por excelência um centro reprodutor de bovinos, pelo que continuamos, entre outras, com sérias preocupações quanto ao encabeçamento proposto (duas cabeças normais por 10 000m2 de superfície forrageira), quando sabemos que eventualmente os próprios técnicos do Ministério não concordarão com a proposta que como tantas outras não estão, técnica, social e cientificamente estudadas e sustentadas o que revela uma falha imensa neste plano – Uma quase total ausência de estudo e caracterização da área terrestre, marinha e fluvial e muito pouco trabalho de campo.”
Não obstante, e a terminar agradeceu uma vez mais a presença do governante, facto que muito honrou o Município, em tão importante acto, e reconheceu publicamente o esforço, a determinação e o importante trabalho que vem desenvolvendo à frente do Ministério da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas, solicitando a melhor atenção para as preocupações manifestadas e convidando desde logo, sua Excelência a presidir à inauguração de mais uma edição do Festival da Batata-doce de Aljezur a realizar no próximo Outono.

