Características ambientais únicas, nomeadamente uma orla costeira bastante preservada associada a uma paisagem e cultura rurais tradicionais e uma elevada biodiversidade, motivaram a inclusão de cerca de metade da área do concelho de Aljezur na Rede Nacional de Áreas Protegidas (Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina) e de praticamente toda a área na rede europeia para a conservação da natureza – Natura 2000.
Sendo uma zona de interface mar-terra, de enorme valor geológico e também uma zona de contacto de várias regiões biogeográficas, encerra uma grande variedade de comunidades de aves, mamíferos, invertebrados, plantas e peixes e de habitats, desde arribas escarpadas caindo sobre o mar, a praias de areia fina e zonas de charneca, sapais, estuários, nomeadamente os das ribeiras de Aljezur, de Seixe e da Carrapateira, lagoas e cursos de águas temporários.
A crescente procura turística durante a época estival é motivada pelas magníficas praias que este município encerra. De facto, a orla costeira, com mais de 40 km de extensão, apresenta tranquilas praias rodeadas pelo perfil serrilhado de altas arribas xistosas, ora prolongando-se terra adentro em dunas extensas (Amoreira, Monte Clérigo, Bordeira) ora formando conchas ou extensões de areia dourada ladeadas pelas rochas negras altaneiras (Arrifana, Vale dos Homens, Vale Figueiras, Amado, Odeceixe).
Paraíso dos pescadores, dos surfistas e praticantes de bodyboard, assim como dos amantes da natureza, também famílias podem aqui desfrutar de umas agradáveis e tranquilas férias.
FAUNA
Um dos aspectos mais interessantes desta costa sudoeste é a diversidade de aves que é possível observar, destacando-se as migratórias que elegem esta zona como corredor de passagem entre a Europa e o Norte de África. É de especial significado a migração outonal de aves planadoras, envolvendo alguns milhares de rapina, entre outras.
Nas falésias rochosas é possível encontrar espécies diversificadas que aí nidificam, como o falcão-peregrino e a gralha-de-bico-vermelho, destacando-se a cegonha branca (Ciconia ciconia) que nidifica na zona em arribas marítimas, constituindo caso único de utilização deste tipo de habitat.
Ao longo de toda a linha costeira, encontra-se a única população portuguesa de lontra (Lutra lutra) que utiliza o meio marinho para se alimentar de peixes e crustáceos litorais, sendo também rara na Europa.
O estado de relativa conservação do litoral marinho é de grande importância para a manutenção de algumas espécies, como o mero, espécie de peixe ameaçada, que já desapareceu de quase toda a restante costa portuguesa.
Nos habitats ribeirinhos, como as ribeiras de Aljezur e de Seixe, as espécies nidificantes incluem as garças vermelha e pequena, o galeirão e passeriformes, como o sonoro rouxinol-grande-dos-caniços.
Os morcegos, comedores de insectos, podem ser avistados ao anoitecer; entre estes podem-se observar o morcego-de-água e o morcego-de-peluche.
A nível terrestre predominam as espécies faunísticas mediterrânicas, destacando-se a frequência de várias espécies de carnívoros, como raposas, ginetos, texugos e fuínhas e, no interior, o saca-rabos, o gato bravo e o javali.
Entre os vertebrados pode fazer-se referência aos répteis e anfíbios, abundantes e diversificados que, no conjunto, constituem uma parte significativa da fauna portuguesa.
FLORA
Apesar do aspecto muitas vezes humilde e desolado que apresenta a vegetação, crescem na área exemplares únicos, valiosos sob o ponto de vista botânico. Além das plantas endémicas, a flora da zona do Parque Natural conta com 27 espécies raras ou muito raras, existindo algumas delas em Portugal apenas nesta área.
Nas falésias e nas arribas litorais a flora encontra-se condicionada pela intensa acção dos ventos, não permitindo o desenvolvimento de comunidades arbóreas ou arbustivas de porte considerável.
Nas plataformas elevadas, sobranceiras à linha da costa – grande planalto litoral, podemos encontrar notáveis campos dunares suspensos sobre as arribas marítimas, os chamados “medos”.
A valiosa vegetação nesta zona caracteriza-se, nomeadamente, pela existência de espécies endémicas como a Biscutella vicentina e a Armeria royana.
De salientar a existência de um pequeno arbusto de forma arredondada, com interesse ornamental, a joina-das-areias, que apresenta uma floração amarela, principalmente nos meses de Abril a Junho e que imprime à paisagem particular beleza.
No meio marinho litoral desta zona encontra-se grande variedade de algas e importantes bancos de gelídeo, que no conjunto produzem uma quantidade importante de matéria-prima para a produção nacional de ágar-ágar.
Nas serras que bordejam esta área litoral destaca-se a existência do medronheiro, cujo fruto é comestível e muito apreciado para o fabrico de aguardentes, constituindo a sua destila uma importante fonte de receita complementar para a população rural. Outras espécies florestais como o sobreiro, o pinheiro manso e bravo são também frequentes.
A flora apresenta ainda um conjunto de espécies aromáticas e medicinais, como o rosmaninho, o tomilho, o loureiro, o orégão e outras, como o tojo ou a urze.