

Categoria: Áreas Protegidas
Longa faixa costeira (74788 ha) desde a Ribeira da Junqueira (concelho de Sines) até Burgau (concelho de Vila do Bispo) e uma faixa marítima de 2 km ao longo de mais de 100km de orla costeira, incluindo-se no sítio Sudoeste PTCON0012 da Rede Natura 2000 e IBA (Important Bird área “Costa Sudoeste” PT031. É uma zona única a nível nacional e europeu pelo elevado estado de conservação do litoral e riqueza ambiental e paisagística que a caracterizam.
Zona de interface mar-terra de enorme valor geológico, de contacto de várias regiões biogeográficas, encerra grande diversidade de habitats - arribas escarpadas caindo sobre o mar, praias de areia fina, zonas charneca, sapais, estuários, lagoas e cursos de água temporários, muitos prioritários do ponto de vista da conservação a nível europeu.
O PNSACV apresenta uma elevada biodiversidade, sendo conhecidos cerca de 750 taxa. As espécies tidas como endémicas, raras ou localizadas, são em número superior a 100, incluindo não só as espécies consideradas vulneráveis portuguesas, como também diversas espécies estritamente protegidas na Europa.
A quantidade de endemismos próprios desta região determina também a formação de numerosas associações igualmente endémicas, algumas com uma área de distribuição reduzida, constituindo todas estas espécies, no seu conjunto, um património particularmente raro, cuja viabilidade a longo prazo deve ser assegurada.
Entre a diversidade de fauna, sobressaem as aves, centenas de espécies identificadas, que procriam nesta região, nela invernam ou utilizam-na como plataforma migratória entre o Norte de África e a Europa, constituindo anualmente um magnífico espectáculo a observação de milhares de aves migradoras cruzando os céus, na sua travessia intercontinental.
Entre tantas outras, destaca-se o pisco-de-peito-azul (Luscinia svecica), o papa-moscas-preto (Ficedula hypoleuca) e o papa-amoras-comum (Sylvia communis), podendo-se também encontrar aves marinhas e costeiras, em trânsito migratório como o alcatraz (Sula bassana) e a andorinha-do-mar (Sterna hirundo) ou aves de rapina como a águia-calçada (Hieraaetus pennatu) e, esporadicamente, o falcão-da-rainha (Falco eleonorae) ou o búteo-mouro (Buteo rufinus).
A nidificação em falésias e arribas marítimas é uma característica da área do parque, sendo o único local do mundo em que as cegonhas nidificam nos rochedos marítimos. Também outras diversas espécies de avifauna nidificam nestas falésias, como o Guincho ou a águia pesqueira (Pandion haliectus), ou o falcão-peregrino (Falco peregrinus), e outras residentes como o peneireiro comum (Falco tinnunculus) e o peneireiro-das-torres ou francelho (Falco naumanni).
De destacar, ainda, quanto à fauna terrestre, a lontra (Lutra lutra) que se abriga nas arribas marítimas e barrancos adjacentes e, caso raro na Europa, utiliza o meio marinho para se alimentar de peixes e crustáceos litorais.
Por entre a vegetação, de aspecto por vezes desolado, crescem exemplares únicos, de elevado valor conservacionista: endemismos e espécies raras, como é o caso da Biscutella Vicentina, Thymus camphoratus e Centaurea fraylensis ou em perigo de extinção como a Myosotis retusifolia.