Entre o Azul do Mar e o Verde dos Arrozais

FICHA TÉCNICA:

Título: Entre o Azul do Mar e o Verde dos Arrozais

Autor: Maria Olímpia Mendes

Capa: Foto de Maria Olímpia

Edição: Câmara Municipal de Aljezur

Ano: 2002

Paginação e Impressão: Fráfica St.º António

Copyright: (c) Maria Olímpia Mendes 
                    Câmara Municipal de Aljezur

Tiragem: 1000 exemplares

Dep. Legal: 190 960/03

Preço
5,00 €

Esgotado

PREFÁCIO

A escrita de Maria Olímpia Mendes é uma suave melodia de recordações.
Disserta sobre ressonâncias do passado que chegam até nós, com a frescura de outrora e o carinho de quem dirige uma mensagem para os mais queridos e os mais amigos.
Centra-se, essencialmente, na região onde nasceu; descreve o mar que banha falésias recortadas da sua geografia natal... e, expande-se na problemática crucial de outros tempos - as mondas de arroz, no Alentejo.
Às descrições da paisagem serrenha, urbana e, nomeadamente, marítima mistura o sentir fragmentado de casos humanos vividos em Aljezur.
Expressa-se em prosa realista, pejada de sofrimento quando descreve o viver das gentes humildes daquela região, que encontram no trabalho agrícola dos arrozais, em Alcácer do Sal e Comporta (Alentejo), o sustento de uma época estival e o parco celeiro para o doloroso inverno.
Estas razões pesaram na escolha do título - «Entre o Azul do Mar e o Verde dos Arrozais».
A autora pelas doces lembranças de infância ou inspirada em factos e vivências quando já adulta, é constantemente, dominada pela saudade nimbada por recordações felizes que a fzaem reviver, meditar e escrever.
Sente-se realizada, lembrando e escrevendo.
Assume-se em questões autobiográficas transpõe assuntos que, objectivamente, conheceu, regista memórias e elabora diálogos de entendimento...
Nestas pequenas crónicas saber recordar com nostalgia, os tempos que já não voltam.
Pela sua leitura perpassam, por nós, como a magia de um filme, não apenas a Vila de Aljezur, banhada pela ribeira, então de águas claras, qual espelho onde o castelo sabia mirar-se... ou, o mar das praias do Monte Clérigo e Arrifana, como o pitoresco de factos ditados por férteis encantamentos que nunca esquecem.
Quando porém a autora invade o melancólico verde dos arrozais, esquece quase a paisagem, para retratar apenas sentimentos, expressões humanas, modeladas pelo árduo trabalho, pela angústia de genealogias marcadas com o selo da tristeza, o estigma da pobreza... ou a maldição da infelicidade!
Dada a perspicácia da observação memorizada descreve a verdade, não se subtraindo a nótulas de crítica construtiva.
Apresenta nomes conhecidos que autenticam factos e cenas e testemunham circunstâncias de lugar e tempo.
Adulterou ou suprimiu, algumas vezes, o nome de personagens, descobertos com facilidade, pelo leitor mais exigente e familiarizado com o meio.
Hipoteticamente, baptizou com nomes escolhidos, personalidades que assumem o colectivo.
Literariamente, Maria Olímpia Mendes vive a filosofia própria dos acontecimentos, projecta em tons esbatidos de pintura as suas narrativas e subordina conceitos à poética expressão do seu sentir.
As crónicas "Entre o Azul do Mar e o Verde dos Arrozais", ora apresentadas, espelham o romantismo irmanado com a autenticidade, e por isso permitem ilações, associação de ideias e actualização de factos, registando-se todas essas memórias como documentos, que passarão à posteridade.

Odeceixe, 29 de Agosto de 2001

Emmanuel Correia